domingo, 23 de março de 2008

Travesti


Ele é Travesti
E pinta uma cara
Na cara que tem,
Mulher,
Vedeta,
Herói,
Proxeneta,
Banqueiro,
Jogador,
Desejo,
Derrota,
E Homem também,
Ele é Travesti!
Emenda o destino
Num vicio calado
Pó de arroz no riso
Rímel no sorriso
Menino família
Brincando às bonecas
Com papás babosos
A vê-lo brincar
E num travesti
De bibe e lacinhos
A vida a passar,
E o Sr. Fulano
Que inventa canhões
Traz fomes para dar
Destrói ilusões
Proíbe o sonhar
E ao qual,
Todo o Mundo
Louvores Apregoa
É um travesti
De boa pessoa!
E aquele actor
Que julga cantar
Faz gestos, caretas,
Saltos, Piruetas,
E nunca cantou
É um travesti
Daquilo que sonhou!
E o machão falhado
Que é dono e senhor
Que compra a mulher
Que faz do amor
Uma brincadeira
É um travesti
De certa maneira!
E aquela velhinha
Mendiga de pão
Que pede a sorrir
Trazendo com ela
O neto,
Um petiz
É um travesti
De gente feliz!
Eu sou travesti!
Tu és travesti!
Com quantas mentiras
Nós todos vivemos
Com que fingimentos
Rimos e sofremos
São regras do jogo
Que todos jogamos
Até sem saber,
Travesti da vida,
É estar a viver
Por isso, aqui estou,
Bastante feliz
Por vos ter aqui
É bom estarmos vivos.
Viva o travesti!.
Varela Silva